O poder da música
- Ana Hilgert
- 12 de abr. de 2024
- 2 min de leitura

Ler escutando: A Laís & a Maid in the Bloom - Jupiter Apple
Oi amigos preciso ser rápida, tenho 30 minutos para lhes falar. Na caixa de som toca Rolling Stones mas eu mal posso esperar pra colocar outra coisa. Meteria um David Bowie fácil, mas acabo escutando Jorge Aragão sempre, e sempre sendo over eufórica em comparação ao meu companheiro.
Tem coisas que não se pode ignorar. Tem coisas que a gente precisa dar o devido valor. Enquanto cozinho, escuto no mínimo uma hora a música Os Alquimistas estão chegando. Do Jorge Ben. E adoro pensar que ele canta eles são Espertos e Deliciosos. Não consigo fazer com que seja de outro jeito.
Fora que acabei de descobrir uma versão de Asa Branca com Luiz Gonzaga e Sivuca e no final aparece o Gonzaguinha a Elba, pensei, seria um criança esperança, esse palco redondo e cheio - essas são umas belezas que a tevê pode providenciar.
Qual o momento preferido de sua música favorita, onde você percebe uma conversa acontecendo? Onde o seu humor vai de encontro perfeito aquele conjunto de instrumentos e composições, aquele intérprete, aquela música?
Entende, eu casei com a pessoa que aceitou que eu tocasse obsessivamente as mesmas músicas. Com quem eu casei, casou com as minhas músicas. Não minhas - apenas aquelas que são minha obsessão. Como uma louca.
Sempre as mesmas playlists, meu spotify é tedioso. Escuto Cher na mesma frequência que Vivaldi. Vocês podem imaginar que músicas. Sim, sou o b v i a. E me sinto o máximo quando entra o refrão. Sou tão óbvia que amo refrões. Amo a expectativa do refrão, Amo quando um artista safado me nega essa expectativa, me engana, e entrega tudo depois. Tomar no cu! Ouvir uma música é uma foda.
Acho que fiquei solteira uns anos só pra voltar pra casa e ficar ouvindo Lady Fucking Gaga e Pagode Anos Noventa e Nação Zumbi e Madonna e Racionais a noite inteira até acordar no outro dia meio dia, com saudade. Agora faço outras coisas como escutar outras músicas que não são as minhas.
São meu exercício de alteridade.
Casei com alguém que casou com minhas músicas e com cujas músicas me casei.
Mas preciso voltar. Tá na hora de tomar outra cerveja com meu baby e escutar umas músicas específicas do Raul e Toda Discografia do Júpiter Apple e quase tudo de rock gaúcho.
Wander Wildner é rei.
Ps. Pra quem tomou cerveja, escutem essas.
Ps2. Meu marido falou “Talking Heads é o máximo, não?” E eu respondi sim como se estivesse num date. Sei lá, menti. Nunca ouvi.

Lendo e escutando uma música que nunca escutei antes! Amando!