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Bem-vinda, era da mediocridade

  • Foto do escritor: Ana Hilgert
    Ana Hilgert
  • 21 de abr. de 2024
  • 1 min de leitura

Não estou interessada em escrever como o ChatGPT. Dou boas vindas a era do erro. Nós, humanos, sempre erramos, diria que somos mesmo feitos totalmente de puros erros. Em nome disso, peco nas vírgulas, peco na conjugação verbal, e só não extrapolei nos palavrões porque estou pisando devagarinho até aflorar no palco da internet.


E quando digo que vou, vou.


Uma vez, parei de escrever na página - mas minha cabeça nunca - porque um homem 30 anos mais velho que eu, meio (bem) feio e que queria me comer me disse que minhas palavras eram medíocres.


Desde então, decidi que iria provar que mediocridade é sim, a finalidade, o grande FIM da vida, não apenas minha, mas de toda vida humana. E como a realidade é o sonho dos alquimistas, o meu sonho se realizou. Todos nós teremos que dobrar as nossas genialidades medíocres aos pés do Chat GPT. Eu estava certa, homem. Se sou medíocre, você também. E todos os seus gênios, graças a deus.


Em 1996, quando o computador Deep Blue derrotou o “gênio do xadrez” Kasparov, a profecia se confirmava pela primeira vez: na  batalha, ganha aquele que calcular mais rápido e com mais precisão - os homens criaram a guerra, e a guerra perderão (perdão, a rima foi inevitável, como também inevitável a minha (nossa) (inútil) tentativa de não ser medíocre.)


Mas não fui eu quem dividiu a sociedade de acordo com sua utilidade. Viva, sim os medíocres, os puros, os emotivos, os falhos - poderemos sobreviver, talvez, como pets inofensivos de AIs, superiores. Como bobos da corte, inúteis, mas como bobos, felizes.

 
 
 

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