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Eu sou você

  • Foto do escritor: Ana Hilgert
    Ana Hilgert
  • 12 de abr. de 2024
  • 2 min de leitura

É o penis. É a buceta. São os pelos. São os peitos. A unha feita. A pele carcomida o pé que não anda. Os braços travados os cabelos penteados. A veia. A ruga. O suvaco. A pele. Ombros calejados. Dedos travados. Respiração peitoral, elevação dos seios, como animais


Homens são visuais


É o jeito que tu te importa. Foram tuas respostas. O contar doce de uma piada. O cantar doce da tua boca. O gosto. A inteligência. Teu caráter. Ou a ausência.


Todo o resto é outra coisa

Outra coisa que não se sabe

Outra coisa que não se define

Outra coisa que pulsa e respira e vive


Mulheres são livres


Quando te vejo te atravesso

Quando me vês me conténs


Quando te vejo não te defino

Quando me vês me conténs


Quando te vejo, pergunto

Quando me vês me conténs


Da forma que te convéns

Me vês como um convite

Te vejo além do aléns


Planejo te libertar para assim me libertar

Não sou liberta que nada

Como me vês me vejo


Sou escrava do desejo

A frase não é minha, é tua

Como a lei natural é um discurso que aplicas

Me prevês o destino

Como uma má rima


E se digo que aqui termino me forço a não permanecer incompleta

Me

Aproprio de tua língua

Jogo veneno no teu encalço

Sou teu demônio sou tua irinea

Volto a revolver o teu laço


Pego o espelho que me deste e jogo no chão em mil cacos

Não mais uma forma não mais uma moldura

Não mais dois olhos

Mas vinte e cinco

Não mais eu mas mais eus

Vários

Várias


Pulgas pentelhas atrás das tuas orelhas

Te infestamos

Te carcomemos

Como vermes, um cadáver

Como vermes, um cadáver


Até que não haja contorno, sós

O teu ronco pesado

O teu hálito cansado

De batalhas contra nós


E se digo que aqui termino me forço a não permanecer incompleta

Deveria te deixar renascer mas quando vens

Te entrego ao teu pai


E digo

Toma que o filho é teu.


Não, não é tua culpa. É tua alma. Não, não é teu medo. É o teu impulso. Não, não é teu ímpeto. É a tua força. Força que é minha. O espelho de mil faces me diz. Que se tive forças de estilhaça-lo devo reconstruí-lo. Mas vou nos deixar no chão. Vendo tudo. Não sou mais nada. Sou um tudo que vê.


Como a medusa sem óculos, sem lentes

Eu sou você.



 
 
 

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1 comentário


Liliane Hilgert
Liliane Hilgert
12 de abr. de 2024

Que coisa lindaa!! Arrepiada aqui, relemdo e relendo e relendo e relendo❤️❤️❤️❤️

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